Até pouco tempo atrás, o relatório ESG era uma prática restrita a grandes multinacionais. Hoje, contudo, indústrias de médio porte no Paraná e em Santa Catarina estão sendo cobradas por clientes, investidores e bancos por um posicionamento ESG documentado. Quem não tem esse histórico está, portanto, perdendo contratos.
Neste artigo, explicamos o que é um relatório ESG, por que ele passou a ser exigido das indústrias regionais e, além disso, como a gestão de resíduos é um dos pilares mais mensuráveis dessa agenda.
O que é ESG e o que significa na prática?
ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance — ou seja, Ambiental, Social e Governança. É um conjunto de critérios para avaliar o desempenho de uma empresa além dos resultados financeiros. Em outras palavras, considera seu impacto ambiental, sua relação com colaboradores e a qualidade de sua governança corporativa.
O pilar Ambiental (E) inclui gestão de resíduos, emissões de CO₂, consumo de água e energia, economia circular e conformidade com licenças ambientais. Já o pilar Social (S) abrange condições de trabalho, saúde e segurança, diversidade e impacto nas comunidades locais. Por fim, o pilar Governança (G) compreende transparência, controles internos, ética corporativa e políticas anticorrupção.
Para indústrias geradoras de resíduos, o pilar E é frequentemente o mais urgente — e é exatamente onde a gestão de resíduos tem papel central.
Por que as indústrias do PR e SC estão sendo cobradas agora?
A pressão por relatórios ESG chegou às indústrias regionais por três caminhos simultâneos:
Exigência de clientes corporativos e exportadores
Grandes empresas — especialmente as que exportam para Europa e América do Norte — passaram a exigir de fornecedores nacionais comprovação de práticas ESG. Se você fornece para uma montadora, rede varejista multinacional ou indústria alimentícia que reporta ESG globalmente, sua empresa já faz parte dessa cadeia de exigências. Consequentemente, não ter o relatório pode significar perder o contrato.
Condições de crédito em bancos e fintechs
Linhas de crédito com taxas diferenciadas atreladas a performance ESG tornaram-se comuns nos principais bancos brasileiros. O BNDES, os bancos privados e as fintechs passaram a incluir critérios ambientais e sociais na avaliação de risco. Assim, empresas sem histórico ESG podem pagar mais caro ou ter acesso restrito a crédito.
Pressão regulatória crescente
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou obrigatória a divulgação de informações de sustentabilidade para empresas abertas. Embora essa obrigação não se aplique diretamente a empresas fechadas de médio porte, ela gera um efeito cascata: as grandes empresas obrigadas a reportar repassam as exigências para toda a sua cadeia de fornecimento. Portanto, a pressão chega mesmo a quem não é obrigado legalmente.
O que um relatório ESG deve conter?
Não existe um formato único e obrigatório para empresas fechadas. No entanto, alguns frameworks são amplamente reconhecidos e adotados:
O GRI (Global Reporting Initiative) é o padrão mais utilizado no mundo, com indicadores específicos por setor — disponível em globalreporting.org. O SASB oferece padrões setoriais com foco em materialidade financeira. Já o CDP é uma plataforma de divulgação de dados sobre clima, florestas e água, muito usada em cadeias globais de fornecimento.
Independentemente do framework, o relatório deve contemplar três dimensões. A dimensão ambiental inclui geração total de resíduos por tipo e classe, taxa de desvio de aterro, índice de reciclagem, toneladas de CO₂ evitadas, consumo de água e energia e conformidade documental (licenças, MTRs, CDFs e PGRS). Quanto à dimensão social, são necessários dados de colaboradores, turnover, segurança do trabalho, programas de treinamento e ações comunitárias. Por fim, a dimensão de governança requer estrutura de gestão, políticas de compliance, anticorrupção e gestão de riscos ambientais e legais.
Como a gestão de resíduos alimenta o relatório ESG
A gestão de resíduos é um dos poucos pilares do ESG com dados plenamente mensuráveis e documentados. Isso facilita muito a elaboração do relatório. Com as informações certas, é possível calcular indicadores sólidos:
As toneladas desviadas de aterro representam cada tonelada de reciclável que vai para reciclagem em vez de aterro — um dado concreto de impacto ambiental. As emissões de CO₂ evitadas são calculadas com fatores científicos estabelecidos: por exemplo, papel reciclado evita em média 0,9 tonelada de CO₂ por tonelada produzida, enquanto alumínio reciclado, por sua vez, evita até 9 toneladas. A taxa de reciclagem mede o percentual dos resíduos gerados que foram reciclados — um indicador direto de circularidade. Além disso, a conformidade documental com 100% dos resíduos rastreados por MTR e CDF é, igualmente, um indicador forte de governança ambiental.
A BR APARAS fornece relatórios mensais e anuais com todos esses dados para os parceiros atendidos — ou seja, informações prontas para alimentar o relatório ESG sem trabalho adicional de coleta.
Passo a passo para começar o relatório ESG da sua indústria
Passo 1 — Defina a materialidade
Identifique quais temas ESG são mais relevantes para o seu setor e suas partes interessadas. Esse mapeamento define o escopo do relatório e evita, assim, dispersão de esforços.
Passo 2 — Colete os dados ambientais
Comece pelo que é mais fácil de medir: geração e destinação de resíduos, consumo de energia e água e emissões de CO₂. Em seguida, consolide os dados em uma planilha estruturada por período.
Passo 3 — Levante os dados sociais e de governança
RH, segurança do trabalho e compliance geralmente já têm esses dados disponíveis. Trata-se, portanto, de um esforço de consolidação — não de geração de informações novas.
Passo 4 — Escolha o framework
O GRI é o mais reconhecido para indústrias no Brasil. Para um primeiro relatório, ademais, pode-se usar uma estrutura simplificada alinhada ao GRI sem precisar de certificação formal.
Passo 5 — Redija, revise e publique
Por fim, publique o relatório no site da empresa, compartilhe com clientes e disponibilize para credores e investidores. A transparência é, afinal, o objetivo central do documento.
BR APARAS: a base de dados ambientais do seu relatório ESG
A BR APARAS entrega aos parceiros muito mais do que coleta e destinação de resíduos — fornecemos os dados que tornam o relatório ESG possível. Nossos relatórios incluem volume coletado por tipo de resíduo e período, destinação realizada, toneladas de CO₂ evitadas, taxa de desvio de aterro e histórico completo de MTRs e CDFs.
Com esses dados em mãos, sua equipe tem a base ambiental do relatório ESG praticamente pronta. Além disso, com mais de 19 anos de experiência e centenas de parceiros atendidos no PR e SC, sabemos exatamente o que auditores e clientes esperam encontrar na documentação.
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Saiba também como a economia circular na indústria contribui para os indicadores ESG e conheça o compromisso de sustentabilidade da BR APARAS.
Fontes e referências
- GRI — Global Reporting Initiative: org
- CVM — Resolução sobre divulgação de informações de sustentabilidade: br/cvm
- BNDES — Linhas de crédito ESG: gov.br
- CNI — Gestão Ambiental nas Indústrias: com.br
- BR APARAS — Sustentabilidade e relatórios ESG: com.br/sustentabilidade
Este conteúdo foi produzido pela equipe da BR APARAS com fins educativos.
