“Zero aterro” é uma das metas mais ambiciosas — e mais concretas — do universo ESG. Cada vez mais indústrias no Brasil e no mundo se comprometem com ela: nenhum resíduo enviado para aterro sanitário. Mas o que isso significa na prática? E por que esse objetivo virou uma exigência de mercado, não apenas uma aspiração ambiental?
O que é a meta zero aterro?
Zero aterro é o compromisso de desviar 100% dos resíduos gerados de aterros sanitários. Para isso, a empresa recorre a reciclagem, reaproveitamento, compostagem, coprocessamento ou qualquer outra destinação que não seja o aterramento.
O parâmetro mais aceito internacionalmente vem da UL (Underwriters Laboratories). Segundo essa referência, uma empresa atinge o zero aterro quando desvia pelo menos 90% dos resíduos gerados. Já para a certificação de nível máximo, o índice precisa chegar a 100%.
Por que o zero aterro importa?
Aterros não são solução — são o problema
Aterros sanitários têm vida útil limitada. No Brasil, segundo dados do IBGE, muitos municípios operam com aterros próximos do limite de capacidade. Consequentemente, cresce a pressão pela abertura de novas áreas — com impacto ambiental e custos cada vez maiores.
Além disso, o aterro é uma das principais fontes de emissão de metano (CH₄), gás com potencial de aquecimento global 21 vezes maior que o CO₂. Portanto, cada tonelada de resíduo orgânico enviada ao aterro agrava diretamente as mudanças climáticas.
Aterro é custo, não solução
Em muitas regiões do Brasil, o custo de disposição em aterro subiu significativamente nos últimos anos. Empresas que dependem dele para grande parte dos resíduos enfrentam, assim, uma pressão de custo crescente. Por outro lado, quem recicla e reaproveita transforma esse custo em receita ou em redução de despesa.
ESG e exigências de clientes
A taxa de desvio de aterro é um dos indicadores ambientais mais cobrados em relatórios ESG e auditorias de fornecedores. Por isso, empresas que querem manter contratos com grandes clientes corporativos precisam demonstrar progresso nesse número.
Como calcular a taxa de desvio de aterro?
A fórmula é simples:
Taxa de desvio (%) = (Volume desviado de aterro ÷ Volume total gerado) × 100
Veja um exemplo prático. Uma empresa gera 100 toneladas de resíduos por mês. Dessas, 85 toneladas seguem para reciclagem ou reaproveitamento e 15 vão para aterro. A taxa de desvio, portanto, é de 85%.
Para calcular esse indicador com precisão, você precisa de três informações: volume total gerado por tipo de resíduo, destinação efetiva de cada fluxo e documentação comprobatória (CDF para cada destinação).
A BR APARAS fornece relatórios mensais com todos esses dados. Dessa forma, o cálculo e o monitoramento da taxa de desvio deixam de ser um trabalho manual.
Os cinco caminhos para o zero aterro
Alcançar o zero aterro exige uma estratégia em múltiplas frentes. A seguir, os principais caminhos:
1. Reciclagem (a base)
A maior parcela dos resíduos industriais — papel, papelão, plásticos, metais e vidro — tem valor de reciclagem. Com segregação adequada, a empresa desvia esse material de aterro com relativa facilidade. Na maioria das indústrias, aliás, a reciclagem sozinha já responde por 60% a 80% do desvio.
2. Coprocessamento em fornos de cimento
Alguns resíduos não têm valor de reciclagem convencional, mas possuem poder calorífico. Nesses casos, usinas de cimento os utilizam em substituição a combustíveis fósseis. O coprocessamento é, além disso, uma destinação legalmente reconhecida e bem aceita em relatórios ESG.
3. Compostagem e tratamento biológico
Indústrias alimentícias e outras geradoras de resíduo orgânico podem transformá-lo em fertilizante. Assim, o material que iria para aterro passa a gerar valor.
4. Reaproveitamento interno (simbiose industrial)
Resíduos de um processo podem virar insumos de outro — dentro da mesma empresa ou em parceiros da cadeia. A simbiose industrial é, portanto, uma das formas mais eficientes de avançar sem custo adicional.
5. Redução na fonte
A maneira mais eficiente de desviar resíduos do aterro é simplesmente não gerá-los. Revisão de processos, embalagens menores, padronização de materiais e manutenção preventiva reduzem a geração na origem.
Roteiro para alcançar o zero aterro na sua indústria
Comece pelo diagnóstico. Mapeie todos os fluxos de resíduos e identifique quais estão indo para aterro e por qual motivo.
Em seguida, melhore a segregação. Uma separação na fonte mais rigorosa aumenta a pureza e o valor dos materiais recicláveis.
Depois, escolha parceiros qualificados. Contrate empresas com portfólio completo — reciclagem, coprocessamento e compostagem — para cobrir todos os tipos de resíduo que você gera.
Estabeleça metas e monitore. Defina um objetivo anual de desvio (por exemplo: 85% em 2026 e 92% em 2027) e acompanhe o indicador mensalmente.
Trabalhe a redução na fonte. Com os fluxos mapeados, identifique os maiores geradores e atue diretamente no processo produtivo.
Por fim, considere a certificação. Empresas que atingem 90% ou 100% de desvio podem buscar a certificação Zero Waste to Landfill pela UL ou por outras certificadoras reconhecidas.
Quem já está no caminho do zero aterro no Brasil?
Natura, Ambev, Unilever Brasil e diversas indústrias do setor automotivo já declararam metas de zero aterro — algumas delas já alcançadas em plantas específicas. No Sul do Brasil, além disso, o movimento chega cada vez mais às indústrias de médio porte. A pressão de clientes e a disponibilidade de infraestrutura de reciclagem e coprocessamento explicam, em grande medida, essa aceleração.
BR APARAS: seu parceiro no caminho para o zero aterro
A BR APARAS oferece a infraestrutura que sua empresa precisa para avançar na meta de zero aterro. Nosso portfólio de destinação abrange reciclagem de papel, plástico, metal, madeira e outros materiais. Além disso, entregamos rastreabilidade total e relatórios de impacto que tornam a meta mensurável — e, consequentemente, alcançável.
Nossos relatórios trazem a taxa de desvio de aterro calculada por tipo de resíduo e por período, pronta para alimentar relatórios ESG e auditorias de fornecedores.
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Fontes e referências
- UL — Zero Waste to Landfill Validation & Verification: com
- IBGE — Pesquisa Nacional de Saneamento Básico: gov.br
- GRI — Indicadores de resíduos e desvio de aterro: org
- Lei 12.305/2010 — Política Nacional de Resíduos Sólidos: gov.br
- BR APARAS — Soluções de destinação e sustentabilidade: com.br/sustentabilidade
Este conteúdo foi produzido pela equipe da BR APARAS com fins educativos.
